Você recebe uma mensagem no WhatsApp de um número desconhecido, mas a foto de perfil é do seu filho, sua mãe ou um amigo próximo. A pessoa diz que “quebrou o celular” ou “perdeu o número antigo” e, pouco depois, pede um Pix urgente. Esse é um dos golpes que mais cresce no Brasil agora, e a Polícia Militar de Minas Gerais reforçou o alerta recentemente depois de registrar um novo aumento de casos.
Segundo o relatório “O Estado dos Golpes no Brasil 2026”, da Global Anti-Scam Alliance (GASA), divulgado em agosto, o WhatsApp já é o canal usado em 64% dos golpes digitais no país, e 81% dos adultos brasileiros tiveram contato com alguma tentativa de fraude em 2026. O prejuízo total chegou a R$ 21,2 bilhões, afetando 16,5 milhões de pessoas. Ou seja: a chance de você ou alguém da sua família receber essa mensagem é alta — e vale a pena saber reconhecer o golpe antes que ele funcione.
Como funciona o golpe do WhatsApp com foto de parente
O golpe segue quase sempre o mesmo roteiro:
- Contato por um número novo: você recebe uma mensagem de um número que não está nos seus contatos, mas com a foto de perfil de alguém que você conhece — filho, mãe, irmão, amigo próximo.
- Justificativa pronta: o golpista explica que o celular quebrou, foi roubado ou está no conserto, por isso está usando “um número novo”.
- Pedido de Pix com urgência: logo em seguida, vem o pedido de dinheiro — geralmente alegando ter estourado o limite diário de transferência do banco e prometendo devolver “assim que possível”.
- Pressão emocional: a conversa usa um tom pessoal e afetivo (chamando de “mãe”, “pai”, “amor”) para gerar confiança e pressa, evitando que a vítima pare para pensar.
- Bloqueio e sumiço: assim que recebe o Pix, o golpista bloqueia o número e some, dificultando qualquer tentativa de contato ou denúncia.
A Polícia Militar de Minas Gerais também identificou uma variação: golpistas que se aproximam da vítima em anúncios de plataformas como o Mercado Livre, pedindo para ser cadastrados como “referência” ou “contato de confiança” — e usam esse vínculo depois para aplicar o mesmo tipo de golpe.
Sinais de alerta para ficar atento
- Mensagem de um número que você não reconhece, mesmo com foto de alguém conhecido.
- História repentina de “perdi meu número” ou “quebrei o celular”.
- Pedido de dinheiro via Pix logo nas primeiras mensagens.
- Explicação de que “estourou o limite” da conta e por isso precisa que você faça o Pix.
- Recusa em fazer uma chamada de vídeo ou em ligar por voz.
- Jeito de escrever diferente do habitual da pessoa (gírias, erros, forma de falar estranha).
Vale lembrar: com ferramentas de inteligência artificial cada vez mais acessíveis, alguns golpistas já conseguem até imitar a voz de uma pessoa em um áudio curto. Por isso, uma ligação de voz simples não é mais garantia total — mas ainda é um obstáculo a mais para o golpista, que raramente tem tempo ou material suficiente para simular uma conversa inteira convincente.
Como se proteger
Algumas atitudes simples evitam a grande maioria desses golpes:
- Sempre desconfie de mudança de número, mesmo vindo de alguém que você reconhece pela foto — fotos de perfil podem ser copiadas facilmente das redes sociais.
- Ligue para o número antigo da pessoa antes de fazer qualquer transferência, usando um contato que já estava salvo no seu celular.
- Peça uma chamada de vídeo pelo próprio WhatsApp — é o teste mais rápido e, na maioria dos casos, o golpista simplesmente não responde ou inventa uma desculpa.
- Confirme com outras pessoas da família se elas também foram contatadas ou sabem do que se trata.
- Nunca faça Pix por pressa. Um pedido urgente e emocional é, sozinho, um dos maiores sinais de golpe.
- Recuse sem culpa. Não tem problema em confirmar antes de ajudar — quem realmente te conhece vai entender.
O que fazer se você já caiu no golpe
Se a transferência já foi feita, o tempo é o fator mais importante:
- Contate seu banco imediatamente e acione o Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Banco Central — um procedimento criado justamente para casos de fraude no Pix, que pode bloquear o valor na conta de destino antes que o golpista consiga sacar, se acionado a tempo.
- Registre um boletim de ocorrência o quanto antes, de preferência pela delegacia online de crimes cibernéticos do seu estado — o banco costuma pedir esse registro para dar andamento ao caso.
- Bloqueie o número do golpista e denuncie o perfil dentro do próprio WhatsApp (opção “Denunciar” no contato).
- Avise a pessoa que teve a foto usada, para que ela alerte os próprios contatos sobre o golpe.
Perguntas frequentes
É possível recuperar o dinheiro de um Pix enviado por golpe?
Existe chance, principalmente se você acionar o banco rapidamente através do Mecanismo Especial de Devolução (MED). Quanto mais rápido agir, maior a chance de bloquear o valor antes que o golpista o retire.
Chamada de vídeo garante que não é golpe?
Ajuda bastante, mas não é 100% infalível — já existem casos de voz clonada por IA. Combine a chamada de vídeo com outras confirmações, como ligar para o número antigo da pessoa.
Por que o golpista usa a foto de alguém conhecido?
Porque gera confiança imediata. O cérebro reage de forma diferente quando reconhece um rosto familiar, o que reduz a desconfiança natural e facilita a manipulação emocional.
Este conteúdo foi produzido com base em alertas de segurança pública, incluindo orientações da Polícia Militar de Minas Gerais, e no relatório “O Estado dos Golpes no Brasil 2026” da Global Anti-Scam Alliance (GASA).
Veja também: Identificar um Golpe do Pix: 5 Sinais em Segundos e Golpe da Receita Federal no WhatsApp: o DARF falso.

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